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A Copa dos estrangeiros, 75% das seleções têm naturalizados convocados

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Brasileiros, Pepe e Deco se naturalizaram e defenderão as cores de Portugal

Na Copa 2010, apenas oito seleções não contam com jogadores nascidos em outros países

    A maioria das seleções que vai disputar a Copa do Mundo de 2010 optou por convocar jogadores naturalizados. Das 32 equipes participantes, apenas oito não contarão com estrangeiros no plantel. África do Sul, Brasil, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Honduras, Inglaterra e Uruguai fazem parte desse seleto grupo. Essas seleções representam apenas 25% de todos os times que estarão no Mundial.

  Os outros 75% são formados por times que contam com, no mínimo, um estrangeiro naturalizado. Na Copa deste ano, os atletas naturalizados representarão pouco mais de 10% do número total de jogadores, já que, entre 736 convocados, 75 preferiram, por algum motivo, defender uma seleção diferente da do país de onde nasceram. O Brasil é um dos países que mais exporta convocados para a Copa, ao lado de outras nações com tradição no futebol, como Argentina, Alemanha e França.

Foto: iG São Paulo

    Países com tradição em Copas têm mais atletas naturalizados

   O caso mais curioso acontece com a seleção da Argélia, que conta com 17 jogadores nascidos na França, sua nação colonizadora. Estes atletas optaram por jogar a Copa pelo país africano, mas boa parte deles só resolveu fazê-lo após a vaga na Copa ter sido garantida. Ou seja, vários jogadores só se naturalizaram argelinos porque passaram a ter a chance de disputar o Mundial. Hábil Belas e Ryan Boudebouz, por exemplo, só estrearão em partidas oficiais com a camisa da Argélia durante a Copa. Ambos já jogaram pela França por categorias de base.

Foto: iG São Paulo

Argélia tem uma seleção praticamente formada só por franceses

Nas outras seleções, há histórias bem diferentes da dos jogadores franco-argelinos: alguns atletas, como Marcus Tanaka, brasileiro naturalizado japonês, saíram de seus países muito cedo e formaram uma vida em outra nação. O zagueiro, que está no país asiático desde os 15 anos, jamais atuou em times do futebol brasileiro, mas é apontado como indispensável na seleção que defende atualmente.

Cacau, paulista naturalizado alemão, tem história parecida. Sua carreira começou no Nacional-SP, mas logo ele foi para a Alemanha, onde se destacou pelo Stuttgart e então foi convocado para a seleção germânica, em maio de 2009. Hoje, briga pela vaga de titular na seleção tricampeã mundial.

Foto: AP

O brasileiro Cacau tem feito gols em amistosos e impressionado os alemães antes da Copa

Fifa quer restrições
   Casos de seleções com jogadores naturalizados, alías, tendem a acontecer com mais freqüência. Tanto que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que, se não forem tomadas providências, chegará um dia em que um país disputará a Copa apenas com jogadores naturalizados. Ele quer criar ainda mais restrições aos estrangeiros, mesmo que o processo para utilização de jogadores de outros países por seleções já tenha sido dificultado.

  Na Copa de 1962, por exemplo, o piracicabano Mazzola defendeu a Itália, mesmo depois de ter jogado pela seleção brasileira no Mundial anterior, em 1958. Anos antes, o lendário Ferenc Puskás também jogou Copas por países diferentes: em 1954, pela Hungria, e em 1962, com a camisa espanhola. Casos como estes já não ocorrem mais, pois a Fifa proibiu um jogador de atuar por duas seleções em torneios que ela considera de alto nível, como a Copa do Mundo.

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